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18/10/2019

Estórias contadas

Mario Umetsu: 

Lendo sobre ir. Magdalena da Cruz, uma jovem que em 1847 teve a visão de um anjo que lhe abençoou a testa; e no decorrer de poucos anos a humilde clarissa que apresentava "milagres" (?) como os de sempre durante a missa dar um agudo grito, cair por terra e mostrar uma hóstia dentro de sua boca, não colocada por ninguém. De quebra, era estigmata e exibia lenços encharcados de sangue de seu lado; passava por longos períodos de inédia, não se alimentava, atraía os animais em momentos mais santos e, um belo dia... engravidou do Menino Jesus através do Divino Espírito Santo!

Sim! Barriga e seios cresceram, o leite veio e na noite de natal um anjo teria lhe ordenado se retirar só a uma manjedoura, ao pé de um jardim, e no dia 26 ela apareceu contando que nasceu um lindo bebê, mais radiante que a luz do dia...

Tendo a reputação de santidade confirmada por um demônio durante um exorcismo, foi conclamada abadessa do mosteiro. Como os padres passaram a lhe negar a comunhão, em uma visão o próprio S. Francisco de Assis declarou que ela estava absolutamente dispensada da obrigação de se confessar.

O resto da história eu conto no Sugestão um dia, aí. Agora vou fazer divertidos joguinhos de marketing mais do que o falso psiquiatra.


By Francisco Goya - 1797-99 -Sonho de mentir e inconstância
 http://www.zeno.org/Kunstwerke.images/I/301D081a.jpg, Public Domain

17/10/2019

HISTERIA COLETIVA



Mario Umetsu: Histeria coletiva - 

Histeria coletiva: toda pessoa inserida em uma multidão sofre uma maior ou menor alteração do estado de consciência e seu verdadeiro "eu" é obnubilado pela circunstância. A sensação de participar de um enorme protesto de rua, cantar o hino e vibrar traz a sensação de vitória já conquistada, como podemos observar respeitosamente em muitos posts de pessoas que voltaram dos protestos de ontem tratando os problemas da nação como coisa passada há muitos anos, de modo semelhante a quem vai a um culto pentecostal ou show dos Anjos de Resgate. Este dispositivo é natural e humano, e eu mesmo já passei por ele várias vezes, diminuindo um pouco só depois que tomei consciência de seus mecanismos.
Pela mesma razão da baixa compreensão de seu dever cívico o brasileiro que vai às ruas lá se entrega com facilidade a micaretas, flash mobs e coreografias com luzinhas de celular. O objetivo é incerto, o alvo é múltiplo e só sob o peso de muita generalização consideraremos que seja possível encontrar três pessoas que estão lá pela mesma razão.
A união sentida vibrantemente pelos participantes é aquela mesma do ano novo em Salvador, ou dos jogos de futebol da seleção. Na copa do mundo os torcedores são irmãos, mas durante os jogos ordinários observamos quinhentos corinthianos socando até a morte uns trezentos sãopaulinos na catraca do metrô ou vice-versa. Com efeito, não é mera coincidência de caso que o brasileiro protestador do "Lula cachaceiro, devolve o meu dinheiro" desce à Paulista com a camisa da seleção: ela é o único símbolo de identidade de um povo que não tem nada para pensar.
Apesar de todas as brincadeiras que fiz por aqui sobre os protestos, é importante salientar com seriedade que toda a nossa população sofre de desorganização intra-espiritual e não consegue botar ordem nem em suas próprias casas. Toda aquela virilidade e certeza de união que começa no "oviro dos piranga" desaparece logo que dobram a esquina. Os socialistas sabem disso, pois desde a consolidação da URSS os neurologistas e parapsicólogos russos estiveram à disposição do governo para o aprofundamento da lavagem cerebral, tão bem difundida por ele através das campanhas de rock'n roll.
Bibliografia básica: Gustave le Bon - "Psicologia das Massas", e de João Carvalhal Ribas - "Música e Medicina".
4 de abril de 2018São Paulo

Complemento a exposição no vídeo: Há hipnose na missa?

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22/03/2019

Histerias, praticas, crendices e conceitos

Mario Umetsu: A única via ...

A única via de algumas pessoas satisfazerem-se plenamente é captando a atenção de outros, e em muitos casos a única arma possível para atingir essa incoercível obrigação é aderir a práticas esquisitíssimas e repugnantes, que deveriam ser abafadas em completo pela sociedade a cada notícia.

A bruxomania dos fins da Idade Média foi alimentada por teólogos e moralistas que nunca - estritamente nunca - viram quaisquer um dos fenômenos que alegavam serem habituais nos "Sabbat's", e em compensação deram às bruxas (às duas classes delas, uma de valentonas conscientes e outras de histéricas sem tratamento médico) o destaque que nunca tiveram perante a sociedade. Os religiosos infelizmente promoveram a superstição, como bem diz um dos sensatos teólogos da época - que só ouviu dizer sobre esse negócio de bruxas quando os padres passaram a propagá-lo, e nunca antes disso.
A demonização da esquisitice humana só gerará mais esquisitice. O mal do mundo moderno é a internet, e a ferramente somos nós mesmos, a ala dos indignados.
Mario Umetsu


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Não pretendo fazer qualquer revisão da demonologia clássica, mas trazer luz aos outros teólogos que desde o medievo sabiam reconhecer nas pseudo possessas aspectos de doenças mentais.
Estou mais com os padres do que com os médicos quando um assunto não tem conclusão. Vocês é que ficam lendo noveletas viciantes e não conseguem estabelecer quaisquer critérios para entender o que o novo (na verdade muito velho) traz.


Mario Umetsu


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Paulo Zacchias, médico do papa Inocêncio X e provável pai da psiquiatria forense, observou que o diabo só apoderava-se das pessoas "melancólicas". O sentido desse termo é bem diverso ao que hoje tomamos, mas em realidade, mesmo naquela época, houve correntes ortodoxas que souberam observar e inclusive diagnosticar as dificuldades que a espiritualidade mesclada com nossa situação de ignorância sabe impor.
► Uma pena que a corrente que vingou tenha sido a da macumbaria, revivificada hoje por estranhos ares tão híbridos de tradicionalismo e carismatismo, onde figuras amorthicas (saca só o trocadilho) disputam sobre linhas vazias quais são as palavras que repetidas várias vezes trazem mais demônios às pessoas.

Mario Umetsu


11/10/2018

Tratamentos

Mario Umetsu: 

O tratamento de sensíveis e histéricos é bastante caro e dificultado. Ou os católicos aprendem um pouco de hipnose e parapsicologia e vão ao socorro do povo ou poucos anos teremos uma grande e semi-ateia clínica psiquiátrica sem médicos chamada Brasil.

Mario Umetsu

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Mario Umetsu: medicamentos...


O sucesso no uso de medicamentos psiquiátricos corresponde mais à condições particulares de genética do que ao tipo de doença como uma nominalização. É por isso que as pessoas que tomam a receita de outras que supostamente possuem a mesma doença raramente alcançam os mesmos efeitos - Além de que a auto-medicação é perigosíssima sob os psicotrópicos.
Mario Umetsu






08/09/2018

Contrastes

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♪♫ Grandes contrastes de dinâmica musical, bem como a exposição incansável a determinados tipos de ritmos e inflexões tendem a baixar a guarda consciente do psiquismo e submeter as pessoas à primeira ideia que lhes surgir à cabeça. Não há mais vergonhas e ressentimentos, bastando entregar-se a si mesmo no plano mais subcortical na seara dos impulsos e estímulos.

Atualmente este fenômeno no catolicismo moderno e no pentecostalismo recebe o nome de "graça do Espírito", e na umbanda o de "estado de santo". Na clínica é "estado dissociativo". Os sujeitos submetidos, em uma ótica mística são os "profetas", e em ambiente de estudos controlados, "histéricos de ocasião". A verdade é que submetidos à música, gritaria, danças e palavras desprovidas de sentido, todo mundo pode ser um grande místico.


Mario Umetsu


💁

: Pentecostalismo protesta ou católico é...


Pentecostalismo protesta ou católico é macumba ianque. Palmas e música sincopada são a mesma receita para a evocação tanto do Divino quanto dos orixás, que vêm sempre fazer a mesma coisa para um mesmo tipo psicológico de pessoas.
Mario Umetsu

07/09/2018

Suscetíveis

🐱‍👤
Histeria coletiva não é algo difícil de entender. Todo mundo que está entre amigos dá uma relaxada e, digamos, entrega as rédeas de sua consciência à situação social: tudo fica mais engraçado, ou mais triste... o que era assustador pode tornar-se enfrentável e vice-versa. No quesito de intensificação de emoções, é uma hipnose em sentido estrito.

Do mesmo jeito que não dá graça dançar a Macarena sozinho, quase não se conhece história alguma de pessoa possessa que tenha "surtos demoníacos" sozinha em casa. 

A situação só ocorre entre pessoas e fica mais monstruosa quanto mais pública se torna. A grande possessão coletiva das Ursulinas de Loudun, onde de tudo de mais assustador ocorria e tudo não passou de simulação inconsciente, quando os padres passaram a administrar as curas na rua e em público, o contágio psíquico suplantou as paredes do convento e tomou a cidade.

O terror psicológico é hoje estimulado pela leitura de obras de exorcistas pra lá de inconsequentes que - sem discutir agora a veracidade dos fatos - JAMAIS deveriam ser vendidos a qualquer um. Estou já cansado de tanto desfazer com conselhos o tanto de pessoas que desenvolvem pavores e neuroses após terem lido a coleção do pe. Amorth.
Mario Umetsu

Histeria


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"Chame a qualquer coisa não-católica de intervenção direta do demônio, sim." Certamente será exaltado nos céus através de falso testemunho e falsa perícia.
Mario Umetsu


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William Sargant é aquele autor que a gente admira e quer dar uma sova ao mesmo tempo. Preconceituoso, "cuzão" e genial nos "baguio". Filho duma puta.
O livro "A possessão da mente" apesar de apresentar uma correta fisiologia do transe e da histeria coletiva, pode levar o iniciante no assunto a um pesado e abobado racionalismo, simplesmente pela ordem das informações conferida pelo autor de certo espírito "ateu toddynho".
É um bom material por cultura bibliográfica e porque seu criador esteve no Brasil visitando os candomblés da Bahia e de volta à Europa conseguiu colocar pessoas em transe simplesmente através da execução de fitas de áudio gravadas com os cantos do Brasil.
Mario Umetsu

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"A música e a dança são os principais fatôres dos fenômenos de possessão que se observam nestes cultos mágicos. O ritmo violento dos tambores e a repetição intérmina dos cantos, produzindo fadiga de atenção e amortecimento consequente da consciência, levam iniciados e crentes a um verdadeiro estado de hipnose"
Oneyda Alvarenga, "Música popular brasileira", 1950.
Mario Umetsu

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O apelo a autoridade dos santos deve ser empregado com muita responsabilidade, principalmente se envolve uma especialidade na qual o mesmo não apresentava perícia. Há contradições enormes entre as opiniões dos próprios santos, o que obriga o estudioso a aceitar todas elas e fazer um filtro por si mesmo sob a ótica do magistério e das ciências competentes, se for o caso.
A bobeira mesmo só começa quando alguém seleciona uma frase e obriga que a gente se escandalize com uma discordância “santal“ ou quando a pessoa solta e sai correndo, o que é mais comum de se ver.
Bento XIV desculpou publicamente à grande S. Catarina de Sena pelo conteúdo teologicamente incorreto apresentado por ela sob suas visões que tinha e cria, e na ocasião esclareceu que tudo se devia ao senso comum e à imaginação da santa.
Inocêncio XI apostou nas visões de carismáticos da época e tanto se ferrou que no leito de morte, com a hóstia consagrada nas mãos, pediu para que ninguém mais acreditasse nesse tipo de coisas.
Papas e santos erram a granel em matéria que não lhes compete, mas só a “bruzundanga facebooquica” não sabe disso.
Mario Umetsu
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